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segunda-feira, 21 de março de 2016

Uma Sena (de Jorge)

"Essa ideia de que pouco a pouco tudo ascende ao refinado, ao puro, ao superior - batatas.
Da corda de tripa à corda de metal,perdeu-se a subtil doçura de uma arcada.
Quanto mais a cultura se divide por milhões de bestas menos qualidade resta a cada um.


E tudo há-de acabar computador da América ao som do biribum do germanismo bárbaro vestido com progressos.
Arreda gente! 
Somos romanos nós, somos romanos!"

domingo, 10 de julho de 2011

Domingo, dia de tomar banho e

... de ler Jorge de Sena.(in "Em Creta com o minotauro)


 


"Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida.
É metade boi e metade homem, como todos os homens.
O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto o sol serenamente desce sobre o mar,
e as sombras, cheias de ninfas e de efebos desempregados,
se cerrarão dulcíssimas nas chávenas,
como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo
de investigar as origens da vida."

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ó pátria sente-se a voz

O mistério aqui noticiado, que envolve uma urna transladada de Angola para o cemitério da Bufarda com (supostamente) os restos mortais de um ex-combatente falecido na Guerra Colonial, fez-me recordar um poderosíssimo poema que Jorge Sena dedicou "A Portugal" que começa assim:
"Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa, porque o não merece. Nem minha amada, porque é só madrasta. Nem pátria minha, porque eu não mereço A pouca sorte de nascido nela."
E assim acaba:
"És cabra, és badalhoca, és mais que cachorra pelo cio, és peste e fome e guerra e dor de coração. Eu te pertenço mas seres minha, não."

Ler poema completo