terça-feira, 17 de outubro de 2017

Estado de sítio

"Somos um Estado falhado porque não somos capazes de defender a vida dos cidadãos" (Miguel Sousa Tavares - SIC)
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Mais de uma centena de mortos depois e mais outros tantos feridos, mais de trezentos e cinquenta mil hectares de floresta ardida depois e milhões de euros de prejuízos, mais de 80% do histórico pinhal de Leiria queimado depois, Portugal falhou.
Dizem que foi terrorismo? Foi.
Foi, porque, no problema INCÊNDIOS FLORESTAIS, os negócios suspeitos proliferam há décadas - impunemente; foi, porque o desleixo individual e colectivo faz parte da nossa cultura de secundarização do "prevenir"; foi, porque o amiguismo e o carreirismo partidário vêm-se sobrepondo à meritocracia na ocupação dos lugares da administração central; foi, porque o sistema que nos rege está contaminado por ramificações do poder económico que impedem a elaboração e execução de políticas fundamentadas no conhecimento e, ao mesmo tempo, avaliadas e responsabilizadas; foi, finalmente, porque somos um povo politicamente cobarde, que teima em subscrever teorias, não pelo que delas percebemos, mas só porque outros as defendem, e, quando as coisas correm mal, achamos que uma velinha à senhora de Fátima ou um telefonema para o 760-não-sei-quantos vai resolver a tudo (especialmente algum do complexo de culpa que nos rói a alma).
A chuva está aí para ajudar a "resolver" o imediato.
Esperemos que também não sirva para que se voltem a lavar as mãos cheias das irresponsabilidades que fizeram o Estado falhar tão dramaticamente.

(Foto de Adriano Miranda /in:Público)
  

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Said sotrot

 


Há dias assim...

                     o sol nasce a poente
             os rios fogem do mar
                o louco cala o que sente
            o poeta goza ao pintar.



 Há dias assim... tortos


            (said sotrot) em que tudo gira ao contrário, dolorosamente.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Votar Peniche

Se há seis meses arrisquei a oportunidade de antecipar os parabéns de vitória a dois elementos da candidatura autárquica que então, na minha opinião, perante as ofertas alinhavadas, deveria saír vencedora nas eleições do dia 1 de Outubro, hoje, já bem conhecidos todos os candidatos e quase concluída a campanha eleitoral que as seis candidaturas concorrentes entenderam fazer, quase que me atrevo a repetir essa parabenização.
E só não o faço porque, quer o aparecimento da candidatura independente   Movimento Independente de Cidadãos Por Peniche, quer a semi-independente (porque declaradamente apoiada pelo Bloco de Esquerda) Grupo de Cidadãos Eleitores Por Peniche poderão, aliás, deverão, desejavelmente, trazer às urnas, pelo menos, os 20% de eleitores que em 2013 entenderam não votar e "punir o sistema autárquico" com a elevação da abstenção até aos 67% (que, em 2005 e 2009, rondou os 47%).
Esta será, a meu ver, a grande incógnita do (salutar) aparecimento das duas candidaturas fora do arco do Poder: saber se as suas proclamadas independências serão assim tão credíveis aos olhos de quem costuma deixar a outros decisões que, no quadriénio seguinte, hipocritamente, criticará todos os dias.  
De resto, e apesar do que quase todos quiseram fazer crer, nada há de novo para Peniche. Se pelo lado dos partidos tradicionais o "copy-paste" ardilosamente redesenhado do que oferecem ao nosso concelho pouco diverge de propostas anteriores, pelas candidaturas "out-siders" ou é apresentado um programa de resumidas intenções, num caso; ou, no outro, um arrolamento de promessas quase individualizadas como se do mapa de trabalhos com 16 anos se tratasse - lembrando as promessas cumpridas, mas esquecendo as por cumprir.
Porém, não se julgue que tudo vai ficar na mesma. Não vai.
Aliás, já não está: nunca em Peniche esteve tanta gente envolvida na discussão política. E nova gente, principalmente gente nova.
Esta já é uma grande vitória que devemos agradecer, especialmente, às novas gerações de políticos, independentes ou não, ao perceberem que discutir, programar e decidir sobre Peniche é para todos os penicheiros, não a pseudo-iluminados de partidos ou movimentos.
Daqui a pouco mais de cento e vinte horas o concelho de Peniche terá eleita uma nova administração autárquica, garantidamente minoritária, a exigir de todos - vencedores e vencidos - o abraçar maioritário de soluções importantes para o futuro dos penicheiros.
Aguardemos, pois, que a universalidade da utilização da palavra PENICHE por todas as candidaturas não tenha sido à toa.  
    

domingo, 24 de setembro de 2017

O seu a seu dono

Juro que não é por, quase todos os dias, ter de limpar a merda de cão que poisa à minha porta; juro que não foi por já ter sido atacado, mais do que uma vez, por cães vadios (e não só) aquando das minhas caminhadas diárias; juro que não foi por ver confirmada em 2017 a fraude pré-eleitoralista da Câmara Municipal de Peniche e "sus muchachos" com a criação da praia de caninos no Porto d'Areia Norte; juro ainda que não foi por, há três semanas, a minha neta (de 4 anos) ter ficado a centímetros de se sentar em cima de uma bosta canídea em pleno relvado do parque urbano da cidade (ou Parque dos Pocinhos, como prefiro chamar-lhe). Tampouco a criação de um parque canino no mesmo parque, conforme projecto do Orçamento Participativo premiado a semana passada pela Câmara Municipal será causa principal deste meu desabafo.
O que me obriga a aqui deixar uma nota menos confortável, passa pelo comportamento pouco cívico, diariamente visível, de muitos dos donos dos cães desta cidade, quando os deixam à solta nas ruas ou nas praias, ou quando os levam a "passear" (leia-se: a fazer as necessidades fisiológicas ao ar livre) sem se preocuparem com a sua posterior limpeza (obrigatória)...
E as entidades a quem compete zelar pelo respeito das regras da salutar convivência entre homem e animais, que fazem?

Criam condições para cuidar da sanidade e controle de animais vadios? Vigiam e ou acautelam a higiene e segurança dos locais públicos?
Promovem a informação/educação das pessoas donas de animais? Punem os infractores?
Nada. Zero. Apenas encenações protocolares para youtube e notícias de TV.
Então?! O que será necessário fazer-se em Peniche para educar certas pessoas a respeitar os outros, seus concidadãos, como se dos seus cães se tratassem?


quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Abre o olho, abre o olho!

Poder-se-á ignorar, fazer de conta, esquecer até; porém, acreditar na realização de algumas propostas (claramente eleitoralistas) que nos são oferecidas em programas, cadernos de encargos ou mapa de trabalhos, tipo "pronto a vestir", será o mesmo que aceitarmos um atestado de demência política.    
Mais a mais quando, por cá, todos sabemos que o passado recente dos principais candidatos a "senhor presidente da câmara" foi interventivo nos destinos autárquicos; alguns deles, diria até, principais cúmplices do marasmo sócio-cultural de Peniche.
 
Dito isto, creiam-me, pode demorar algum tempo, podemos dar benefícios e benefícios de dúvida, mas, mais tarde ou mais cedo, todos nós chegamos à mesma conclusão: em política não há inocências.
Por isso, e tal como apregoam os feirantes, o melhor é "abrir o olho" e utilizar mais o que resta do nosso intelecto no momento da(s) escolha(s).
     

domingo, 10 de setembro de 2017

Xerifes sem estrela


Se há coisa que não faltou ao actual elenco autárquico, foi legislar sobre trânsito, caravanismo, venda ambulante e regulação da utilização das arribas.
Por isso, o desrespeito e a sem vergonhice que muito se registam pela cidade e resto do concelho nestes capítulos serão, maioritariamente, problemas de vigilância e autoridade das instituições a quem compete fazer cumprir a lei, fazendo da "dura lex" uma "sed lex".
Ora, se a legislação produzida mereceu a exigida cobertura política dos orgãos autárquicos (partidários), não parece muito a propósito andar-se por aí em campanha eleitoral a prometer fazer o que está feito.
É que, resolvido o problema da autoridade (sem autoritarismos) parece-me que as queixas dos penicheiros nestes particulares seriam muito, mas muito menores.
Mas vamos a votos para eleger novos orgãos autárquicos, de onde sobressairá um presidente de Câmara, não um xerife (espero...).