terça-feira, 20 de junho de 2017

À (ou há) saúde


Aos poucos vou aprendendo que julgar os outros é o menos importante.

Da importância de sermos livres nas escolhas e no culto da paz interior.

De como é bom ouvir uma palavra de carinho. 

E receber um gesto de amor para aquecer o coração?

Hoje, onze anos passados, apetecem-me duas coisas:

Continuar a (tentar) ser criança
e sonhar.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Porque tenho vergonha

Por muito que queira, não consigo abster-me de comentar o fatídico incêndio de anteontem em Pedrogão Grande, que culminou com a tragédia humana a que ninguém ficou insensível.
Não o faço por discordar das (legítimas) opiniões dos peritos de protecção civil, engenharia florestal, comunicações, administração interna, política de ordenamento, etc., em que, de repente, milhares de portugueses - muitos deles também, habitualmente, experts em economia, finanças, futebol e religião - se tornaram.
Quanto a mim o diagnóstico sobre esta problemática dos incêndios florestais está mais que feito - todos os actores envolvidos sabem bem os "porquês" e as "por consequências" desta actividade económica sem código (CAE).
Se quisermos ser sérios, até nós próprios, inconscientemente ou não, por vezes, contribuímos (em escala aparentemente desprezável) para esse flagelo com comportamentos inadequados, infringindo avisos, leis e editais.
E então?
Então? a verdade é que, em Portugal, principalmente no Verão, desde há não sei quantas décadas, o incêndio florestal faz parte. É quase como que um desígnio nacional; um fatalismo que, anualmente, nos custa milhares de hectares de área florestal, milhões de €uros em subsídios de reinstalação e gastos com pessoal e equipamentos e, infelizmente, a vida de algumas pessoas. 
E é aqui que Pedrogão Grande mexe com todos nós; em pouquíssimas horas sessenta e dois mortos (até ver) e cento e quarenta feridos é um preço demasiado alto, vergonhosamente inaceitável para um país moderno e civilizado.
É esta irracionalidade que está a dar cabo de nós. É esta vergonha colectiva, que todos nós queremos limpar da consciência. Por isso as opiniões, os donativos, as petições, os likes, os comentários, a nomeação arbitrária de culpados, a bandeira a meia haste, enfim... tudo serve para a catarse de um povo que teima em aceitar destes fados como Destino.

sábado, 10 de junho de 2017

E agora? nem reciclagem.

Não sendo adepto do FCPorto, e, muito menos, da sua versão FCPintodaCosta, sou dos que sentiram uma alegria imensa pela troca do treinador da sua equipa de futebol: saindo Nuno Espírito Santo (NES), entrando Sérgio Conceição.
Conhecendo-se a personalidade de NES, adivinhava-se que o seu regresso (agora como treinador) ao "ninho de cobras" por onde cresceu (apenas e só) futebolisticamente seria curto, ou muitíssimo curto - conforme os resultados desportivos da sua equipa.
O destino é-lhe implacável e a canalha organizada em qualquer uma das muitas suas versões super(...) não lhe perdoa os modestíssimos resultados obtidos, agravados pelo tom afável com que sempre explica as derrotas - abordando, esporadicamente, os erros das arbitragens.
Mas o pior, o pior mesmo foi a postura educada e serena com que, quase sempre, honrou o seu discurso público.
- "O quê? um treinador do FCP sem O grito do dragão (leia-se linguagem ordinária e provocatória), sem o cinismo nem a pirraça da cartilha Jorge Nuno, nem as constantes insinuações e ofensas a outros clubes (particularmente, Sporting e o histórico inimigo SLBenfica)? Um militante da pacificação do futebol português de dragão ao peito? Nem pensar!"
Feita "a cama" e as contas - que NES parece ter facilitado bastante (senão engrossaria a lista de credores a médio longo prazo do FCP, ao lado dos seus antecessores mais recentes) - encontrada nos saldos a solução para a próxima época, foi a vez da SAD portista se aproveitar de Nuno para justificar a sua incompetência gestora  e consequente falhanço (buraco?) financeiro  perante as entidades a quem deve contas para além das desportivas.
O porta voz escolhido não poderia ser melhor: Fernando Gomes - um boy do norte (carago!) que sempre terá primado por trabalhar sem grandes interesses remuneratórios em prol de causas públicas - enquanto presidente da câmara do Porto, administrador das Águas Douro Paiva, ministro, administrador da Galp e agora (provavelmente) como administrador da SAD portista. Um exemplo de auto-sacrifício, portanto!
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Eu tinha-te avisado, Nuno!



quinta-feira, 1 de junho de 2017

A coragem de os ter no sítio



Há uma vintena de anos, um adolescente meu amigo, perguntado sobre o que queria "ser quando fosse grande" gracejou:
- Um bandido. Mas dos bons!
Na altura tentei demovê-lo de tamanha idiotice - e hoje o seu comportamento é prova (feliz) de que o terei convencido.
Vem esta memória a propósito das 13 medidas, recentemente preconizadas pelo super-juíz Carlos Alexandre, para maior eficácia no combate à corrupção, recorrendo, na sua maioria, a opiniões veiculadas em 2002 pelo deputado Almeida Santos (co-autor do sistema judicial português).
Ao recordar que, para além da excelência jurídica do deputado, presidente do PS e conselheiro de Estado, Almeida Santos foi também "só" presidente da Assembleia da República, pergunto-me:
- Quando é que a coragem individual de uns quantos forçará a coragem colectiva (diga-se política e, principalmente, partidária) a enfrentar eficazmente os graves problemas que, de facto, infectam a sociedade portuguesa?
Enquanto isso, sempre que apareçam casos que configurem crime: corrupção, branqueamento, apropriação indevida, abuso de confiança, evasão fiscal e outros que enxameiam a telenovelesca justiça portuguesa, nós, com aquele habitual feitiozinho "calimero", bufaremos para o lado:
"- É a bandidagem do costume; este é dos bons, há-de safar-se..."




sábado, 27 de maio de 2017

Data querida





Se presenciar a vida dos nossos é do melhor que a nossa vida tem, participar nos seus momentos mais marcantes dá-nos, sem dúvida, o ânimo bastante para superar o menos bom que, pouco a pouco, vamos sentindo chegar. 
Inevitavelmente, mas sem mágoa de ir cumprindo o ciclo.

Obrigado por isso!



segunda-feira, 22 de maio de 2017

Devagarinho se vai

Como nem sempre devemos ficar pelo primeiro gosto do que nos é servido, aqui fica, sem heresias - muito menos sacrilégio - um momento para percebermos como, às vezes, é ténue a linha que separa o "profano" do "sagrado". Ou não; manda o interesse.
De qualquer forma, quer se goste ou não goste, é verdade (por vezes cruel) que nem sempre damos conta do fraquejar das nossas resistências, ainda que despacito devagarinho... 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Feriado da Geringonça

DEFINITIVAMENTE, o dia 13 de Maio de 2017 ficará marcado para sempre nesta "nação valente e imortal" face aos 3 GRANDES ACONTECIMENTOS que, miraculosamente ou não, coincidiram para a elevação da nossa auto-estima enquanto estirpe comprovadamente capaz de ombrear com qualquer raça de qualquer hemisfério terreno.
Ora bem: confirmado que está o regresso do papa Francisco, incólume, ao Vaticano; pagos que estão os respectivos prémios de campeões e entregues as condecorações desportivas à equipa de futebol do SLBenfica e, claro, após a exultante vitória dos manos Sobral no festival da Eurovisão que, depois do picaresco aplauso de hoje na Assembleia da República, deverão, em breve, ir à casinha das medalhas do presidente Marcelo receber a justa condecoração pelo feito, dizia eu que, depois desta tamanha efusão nacional, nada mais restará ao Estado português, sem o mínimo risco de ferir quaisquer susceptibilidades, senão decretar o 13 de Maio como Feriado Nacional, porque, unanimemente, se tornou o dia mais feliz da maioria lusitana - aquém e além mar - e que, porque toda a gente se sentiu honrada por um qualquer dos feitos conseguidos, encherá os corações: tanto civis como religiosos.
Como corolário da ideia, e por forma a não prejudicar quem quer que seja, proponho que se elimine o feriado de 15 de Agosto (mês em que metade do país está de férias...) por troca, exactamente do 13 de Maio - Dia dos Milagres.
Bora lá, geringonça!