quarta-feira, 20 de junho de 2018

À dúzia, que é mais barato!

"É preciso ouvir a cabeça, mas deixar falar o coração."
(Marguerite Yourcenar)
                                                                     __________
Aos poucos, o coração ia perdendo a voz... quase deixando de falar.
Na cabeça rectrospectivaram-se os mais recentes cinquenta anos - calma e serenamente, sem arrependimentos. Em paz. 
Passam hoje 12 anos.
E hoje, é o entendimento entre a racionalidade e os sentimentos que, apaixonadamente, sem contrição alguma, me faz celebrar a vida todos os dias. 
                                                                                                        Em paz!



segunda-feira, 4 de junho de 2018

Oitenta e cinco

https://4.bp.blogspot.com/-wAe4ophCRIU/WyGTAvt1qOI/AAAAAAAALvw/a-55CV-G4Xgj8arhXMpiT3v3wTSYTUDUwCLcBGAs/s1600/ama.jpg 
A verdade está-te no olhar perdido.

Aprendes a ser o que não és, fingindo forças para esconder as fraquezas que, implacáveis, te vão levando para onde ninguém merece.

Quase tudo em ti nos começa a inquietar; esquecermos pode ser mais fácil do que queremos enxergar e mesmo as relembranças tornam-se mais dolorosas do que parecem.


Valha-nos o teu rosto, cada vez mais um esboço da lucidez que pariste em nós, mas, ainda assim, belo, nobre... brilhante. Comovedoramente!

terça-feira, 29 de maio de 2018

Arrepios da morte

Manifestação contra a eutanásiaDepois do recado encomendado ao Expresso pelo presidente Marselfie, os duvidosos sentiram-se encorajados e a eutanásia vai continuar a ser opção só para algun$.
Mas há quem diga que este resultado foi fruto de grande negociação político-partidária.
E concordo! Especialmente, porque, depois de ter lido esta crónica diabólica de Laurinda Alves sobre o tema, percebi que para o Estado [leia-se partidos do centrão] será preferível (económicamente, claro!) os hospitais continuarem a ter "doentes terminais em sofrimento" do que as cadeias ficarem (ainda mais) superlotadas por médicos e enfermeiros condenados por, indiscriminadamente (a acreditar na teoria de dona Laura), "eutanasiarem" pessoas: porque "dura lex sed lex", ou porque se tratavam de "velhinhos" sem eira nem beira, ou porque o porteiro do hospital o pediu - em nome da herdeira, prima da sua sobrinha, ou porque o velhote era sócio do Benfica e merecia, ou só porque sim...ou, ou...
Assim sendo, talvez tenha sido melhor o NÃO.
Mas os velhinhos vão continuar a morrer; apesar de não o quererem, muitos velhinhos vão morrer porque o filho, o cuidador, o médico, o enfermeiro, ou, em última análise, o Estado se esqueceu, descuidou ou errou; na maior parte dos casos, sem qualquer consequência cível para a morte "acidental"... 

E então, quem vota contra?

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Audiograma




“Petit à petit” o silêncio vai-se instalando todos os dias - devagarinho, mas, ainda assim, de forma gritante a marcar presença pela ausência de nós.

E o resto, o que fica, gira ao som das notas que uma agulha reproduz, lendo as notas pautadas no meu coração.

Era a música(...) que dançávamos, lembras-te?

Ainda a ouves?
Não, pois não?!
A surdez é terrível.
Malditas exostoses!

domingo, 27 de maio de 2018

Prenda d'aniversário

"Viver é uma peripécia.                                     
Um dever, um afazer, um prazer, um susto, uma cambalhota.
Entre o ânimo e o desânimo, um entusiasmo ora doce, ora dinâmico e agressivo.
Viver não é cumprir nenhum destino, não é ser empurrado ou rasteirado pela sorte. Ou pelo azar. Ou por Deus, que também tem a sua vida.
Viver é ter fome. Fome de tudo. De aventura e de amor, de sucesso e de comemoração de cada um dos dias que se podem partilhar com os outros.
Viver é não estar quieto, nem conformado, nem ficar ansiosamente à espera.
Viver é romper, rasgar, repetir com criatividade." 
     Joaquim Pessoa   



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Penicheiradas em (mete) dó maior

Se, enquanto cidadão, procuro não me alhear dos eventos que, de alguma forma, o meu Estado oferece com o intuito de me aproximar às suas instituições, enquanto ex-militar e penicheiro, procurei, naturalmente, aproveitar algumas das actividades proporcionadas em Peniche pelas comemorações do Dia da Marinha.
Então, da panóplia de acontecimentos comemorativos ao dispor e convenientemente publicitados pela Marinha Portuguesa e pela Câmara Municipal de Peniche, fiz as minhas opções de visitante/espectador.
Como não é todos os dias (nem lá perto) que, por estes mares, temos oportunidade de assistir a concertos de música alternativa por uma das melhores bandas portuguesas - como é a Banda da Armada
- corri à Ribeira Velha, na noite de 18 de Maio, para ouvir o que de melhor se tocaria da música
apropriada (pensava eu) a este tipo de agrupamento de músicos.
Azar o meu. Intercalado com meia dúzia de músicas de banda, o alinhamento escolhido foi, basicamente, constituído por adaptações de música popular portuguesa (fados incluídos), e de alguns dos mais conhecidos êxitos dos senhores Frank Sinatra e Phil Collins. Excelentemente interpretados, diga-se.
Não era o que eu expectava, mas foi o programa escolhido para dar música à massa anónima que ali foi e que parece ter gostado. Portanto, azar o meu por querer o melhor que eu sabia ser possível à Banda da Armada.

Assim como foi.
No dia a seguinte, 19 de Maio - "inserido nas comemorações do Dia da Marinha decorreu à noite, na igreja de S. Pedro o Concerto de Gala pela Banda da Armada".
Segundo a notícia (onde, por acaso, vim a saber do evento realizado), terão assistido "mais de quatrocentas pessoas".
Depois da surpresa inicial sobre este concerto que não vi anunciado em lugar nenhum, zanguei-me.
Zanguei-me por morar em Peniche-de-Cima, quase a um kilómetro do centro da cidade, zanguei-me por não ter sequer um amigo facebookiano que alertasse a malta para o concerto, zanguei-me por não ter ido à missa do terço onde a Paróquia deve ter anunciado a cedência da igreja de S.Pedro e, finalmente, zanguei-me com os três presidentes das autarquias da minha terra - da Junta de Freguesia, da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal - porque (querendo ou não) acabaram por se deixar enredar pelo espírito elitista que tanto pareceram querer combater há um ano atrás
enquanto candidatos às eleições autárquicas.
Só não me zanguei com a Marinha.
Primeiro, porque já a conheço há quarenta e cinco anos e sinto que nada mudou. Segundo, porque estava a navegar em seco - na minha terra, e, neste caso, "quer se queira, quer não, aqui mandam os que cá estão".
(Alguns, dos mesmos de sempre, pelos vistos...)


  
 

terça-feira, 15 de maio de 2018

Abu Karballo d'Al Kochete

Publicamente, a esta hora, ainda não se sabe, concretamente, quem terão sido os autores dos actos terroristas de hoje no campo de treinos do SCP/Alcochete.
No entanto, o seu autor moral, todos sabemos que ele sabe que sabemos quem é, apesar do seu recente discurso - prenhe de estupidez, pela tamanha desresponsabilização pessoal argumentada.
Quem, desde o aparecimento desta "superstar",  me tem lido e, eventualmente, duvidado das minhas teses sobre "Gruño Carballo", hoje, infelizmente, só tem uma hipótese opinativa... Obrigado! (vale mais tarde do que nunca).