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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Os chorões das Berlengas

Confesso que a minha primeira reacção à notícia sobre as intenções do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) que li hoje, foi aquele maldito pensamento que sempre me assalta quando deparo com proibições/limites legislados e o seu cumprimento e controle: qual é o problema? se o limite actual de 300 pessoas/dia é, como TODOS sabemos, constantemente ultrapassado para o dobro, o quíntuplo, etc, etc... qual é o problema?
Claro, que a minha fé na evolução da espécie humana pela educação e cultura tocou mais forte e encarei o problema que actualmente parece agitar o mar penicheiro: limitar o desembarque a 600 pessoas/dia na ilha/arquipélago. Mas qual é o problema? voltei a pensar.
As Berlengas não são uma Reserva Natural, considerada (pela Unesco) também Reserva Mundial da Biosfera? E estas classificações são só papel, ornamento turístico ou episódios auto-promocionais de instituições e/ou pessoas?
Se o Estado, a Autarquia e a sociedade civil não conseguem (...) encontrar forma de explorar este dom da Natureza respeitando as regras ambientais, quem e como o fará sabendo-se que mexer em reinos, capelinhas e coutos privados requer muita diplomacia e arte de gerir compromissos?
Acabem lá com o choro e entendam-se. Sem medos!





quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Quando as Berlengas eram simplesmente uma ilha

Quando, como há pouco, ouço a "balada do menino do bairro negro" cantada por Zeca Afonso, emociono-me sempre, porque não resisto a recuar ao ano de 1970 e ao acampamento de um grupo de rapazes pró-escuteiros(?) que durou duas semanas nas Berlengas.
E aí, entre outras coisas (fáceis de imaginar pela composição da foto) esta era uma das baladas a que, todas as noites, o Victor Gil dava música e voz e os restantes (eu, o Beta, o Roldão, o Hipólito, o Zé Leitão, o  Romão, o Motinha e o Zé Puto - se a memória não me falha) emprestavam ao coro a maior desafinação possível.
Curioso é que acabo de lembrar-me de uma "balada" que (julgo) o Victor terá composto por essa altura: 
"Não há gaivotas na minh'ilha. Não sei quem foi que fez o mar.
Vinde gaivotas prá minh'ilha. Pois sei quem foi que fez o mar."

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Pollicipes, pollicipes... apanhas à parte

Para quem, como muitos penicheiros, conheça razoavelmente o fenómeno Berlengas, a criação da sua Reserva Natural em Setembro de 1981 e, a sua classificação - em 30 de Junho último pela UNESCO - de Reserva Mundial da Bioesfera, representam, fundamentalmente, o reco- nhecimento institucional do valor do património natural do arquipélago das Berlengas.
Por isso, a Portaria 232/2011, recentemente publicada, sobre a apanha dos percebes (ou pollicipes) berlengueiros, deveria ser vista como uma das acções fundamentais à defesa da biodiversidade como garantia da sustentabilidade do arquipélago.
Porque será então que, entre outras coisas,  também me custa acreditar na eficácia de certos regulamentos como esta portaria ?
Será porque já conheço as Berlengas há mais de quarenta anos? 

Se calhar...

sexta-feira, 5 de março de 2010

Fotoxop

António não perdoa. E, após saber desta proposta alemã para regularizar dívidas, já está na rua - que é como quem diz: "Berlengas, deutsch willkommen !"

quinta-feira, 23 de julho de 2009

A insustentável leveza do ser (incompetente)

Não sei o que pensará a monarquia do arquipélago.
Imagino a justificação ensaiada pelo gestor municipal dos protocolos insulares.
Repudio qualquer aproveitamento político da situação.
Mas, meus amigos, isto é vergonhoso !




PS (às 08,32 H) : Mesmo depois desta lavagem, a água fica (?) limpa, mas a vergonha ...




terça-feira, 10 de março de 2009

Que cool(pa) !

O parque de campismo da ilha das Berlengas foi considerado o camping mais "cool" da Europa pelo jornal The Times.

"Seja corajoso. A travessia entre Peniche e a ilha das Berlengas pode ser acidentada, mas como recompensa tem um parque de campismo com acesso exclusivo às águas cristalinas do Atlântico". É desta forma que o jornal inglês descreve o camping vencedor. E acrescenta: "Só uma dúzia de famílias de pescadores vivem na ilha, que é uma reserva natural."

De acordo com o Expresso, o alvo principal deste artigo serão os jovens turistas pouco endinheirados que, de mochila às costas, viajam pela Europa.

Perante a força desta "escolha" como e por quem será gerida a conflitualidade entre a "aristocracia berlengueira", a pressão humana da indústria do turismo "pé descalço" e o respeito pela biodiversidade da Reserva Natural das Berlengas?

É por isso que a notícia, sendo um motivo de orgulho para todos nós (penicheiros e não só), inquieta, prenuncia tempos muito pouco "cool". A ver vamos...