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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Oração a Salazar

Os inverosímeis episódios diários da vida política, económica e social portuguesa, a par das palhaçadas do(s) governo(s) da Nação, começam cansar. 
As oligarquias que controlam os partidos políticos (sem excepção) deixaram de se entender - como, disfarçadamente, fizeram até finais do século XX - e a luta pela partilha do Poder passou à sua fase pornográfica: tal é a pouca-vergonhice e promiscuidade entre o público e o privado - e só o que vem a público...
Por isso, os portugueses começam a dividir-se entre os "(ainda) politicamente correctos mas...", os "fartos desta merda" e os "saudosistas salazarentos".
Hoje, porque o neofascismo pulula por aí branqueando Oliveira Salazar, inspirei-me neste vídeo estreia do "pai-nosso do Chavismo", e adaptei-o a essa figura sinistra que, durante quase meio século, perpetuou o obscurantismo neste país. 
 “Salazar nosso que estais no céu, na terra, no mar e em nós, arrependidos e saudosistas, santificado seja o seu nome, venha a nós o seu legado para levar às pessoas do continente e ilhas adjacentes.
Dê-nos hoje a sua luz para nos guiar todos os dias, não nos deixeis cair na tentação do neoliberalismo social-democrata e livrai-nos das oligarquias do arco da governação, do contrabando de influências e da corrupção, porque de nós é a pátria, a paz e a vida.
Pelos séculos dos séculos amém.
Viva Salazar”
(Depois, não digam que não foram avisados...)


terça-feira, 2 de março de 2010

Copyanço


Depois de ter lido a notícia sobre o intrigante aparecimento deste cartaz de G. Bush numa estrada americana é que percebi a falta de originalidade dos cartazes que andam a aparecer nas estradas do cavaquistão.










Caramba, quando é que as
forças vivas portuguesas deixam de gerir a política nacional em sistema copy/paste ?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Memórias de Maio

Em Portugal, há 82 anos, a crise financeira da época, a participação na 1ª Guerra Mundial, os receios do socialismo marxista russo e o mau relacionamento Estado/Igreja, causavam grande instabilidade política e emocional.

Os militares de maior patente, e de formação católica, ansiavam pelo regresso a valores morais e éticos menosprezados pelo regime “republicano-maçónico”, catalizando, entre eles, a ideia de um movimento politico anti-regime, que originasse um "governo forte" para melhor defender os interesses nacionais em moldes tradicionais.

Para o dia 28 de Maio de 1926 estava marcado para Braga uma reunião católica (Congresso Mariano), que congregaria naquela cidade importantes figuras políticas e militares, desde o republicano Cunha Leal ao "conspirador" general Gomes da Costa.

Na madrugada desse dia, inicia-se a sublevação com grande apoio civil: uma coluna militar chefiada por Gomes da Costa parte sobre Lisboa, pondo fim à Primeira República, dando origem ao período da Ditadura Militar. Suspensa a Constituição de 1911, o país fica mergulhado num interregno constitucional.
A ditadura que se instaurou foi um passo para que António de Oliveira Salazar aparecesse como salvador da pátria, enquanto Ministro das Finanças, ao resolver a crise financeira até então instaurada em Portugal. A sua ascensão levou o país ao conhecido período do Estado Novo, a uma reforma Constitucional radical - com a Constituição de 1933, autoritária (seguindo modelos fascistas), à criação do partido único - a União Nacional, símbolo desse autoritarismo, assim como à criação de uma polícia política, que controlava e reprimia toda a actividade política dos cidadãos.

Hoje, algumas semelhanças políticas e emocionais justificam o clima depressivo em que vivemos. Mas, daí a sonhar pelo regresso à época salazarista …?

Isso nunca poderá ser um sonho. Será sempre, sempre, sempre um pesadelo !