quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Não se nasce herói

"Naquele tempo" a maioria dos mancebos portugueses à volta dos vinte anos tinha duas hipóteses de viver os 3 (...) anos seguintes: ou ia à tropa ou não ia. Se fosse à tropa, tinha 99% de hipóteses de ir à guerra (colonial).
Uma das soluções foi recusar o registo no sistema militar e emigrar clandestinamente. A outra - como a dos objectores de consciência política que, discordantes de guerras, e, especialmente, da guerra colonial, também emigraram clandestinamente, antes mesmo de vestirem a farda.
Entretanto, o "sistema" criou malabarismos para abrir excepções à dura regra do serviço militar obrigatório para todos, passando-o para serviço militar obrigatório para todos os que não tinham arte, engenho e/ou cunha$. Surgiram então os alistamentos voluntários na marinha mercante, nos socorros a náufragos, na mocidade portuguesa, na legião portuguesa, na cruz vermelha, etc, etc,.
Depois houve os outros: os que não se safaram da tropa e que tinham (uns mais que outros, naturalmente) cagaço de ir à guerra colonial.
Desses, diz-se que, à volta de oito mil terão tido a coragem de desertar por “discordarem da guerra colonial” optando pelo exílio político no estrangeiro.
Os restantes oitocentos mil "cobardes metropolitanos" foram ao ultramar (ou colónias) defrontar o que mais temiam: a morte. Nove mil perderam imediatamente; catorze mil regressaram fisicamente mutilados, cento e quarenta mil ainda hoje não sabem muito bem porque choram...


quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Música pra chover

Depois das infrutíferas danças e orações, segundo os especialistas, vem aí chuva; mas por dois dias apenas.         Vai faltar um...


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O milagre dos abrunhos



Cátia Isabel, mulher de Tony Dinis - o presidente do Sport Dragões e Jáfoste, tornou-se célebre pela sua imensa bondade. Ocupava o tempo a fazer bem a quantos a rodeavam, visitando e tratando tóxico-dependentes e distribuindo esmolas e carinhos pelos sem abrigo da freguesia de Cássefazem.Ora, contam as "codrilheiras" que Dinis, já irritado por ela andar sempre misturada com drogados e vagabundos, a proibiu de partilhar serviços e esmolas. Mas, certo dia, vendo-a sair furtivamente de casa, foi atrás dela e perguntou o que levava escondido por baixo do vestido.
Eram chocolates ferrero-rocher. Mas ela, aflita por ter desobedecido ao marido, exclamou:
- São abrunhos, Tony!
- Abrunhos, em Novembro?- duvidou ele.
De olhos baixos, Isabel abriu o regaço - e os chocolates tinham-se transformado em abrunhos, tão apetitosos como se fosse o mês de Agosto...!



segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Hip Hop, Hurrahhh

------------------------Refrão------------------------
Eu arrastei a tua querida pra fora da zona
Pra não sentir o teu cheiro na cama que eu me deito
Cabeça massacrada com tapona 
tu és o brother que vem roubar meia broca do meu parapeito 
enquanto familiares disseram caga nisso
Fui resgatar o meu puto lá do cativeiro
A oposição vai dizer que o meu cabelo é postiço
O tio Marcelo assina embaixo para eu ser eleito 

Já vi pessoas que diziam que jamais me roubariam
Quando eu fui ler o meu texto faltava uma alínea
Já vi meio quilo de galinhas marroquinas 
Onde a bófia procurou e só viu porcos da Índia
Sufocado pelo próprio cordão
Criado no meu lindo Zambujeiro
Fui pro meu bairro e dizem desde então 
Que ninguém sabe do meu paradeiro 

Deus olhou pra mim e disse sem papas na língua
Que a minha rima era rara
Eu nunca fui bandido mas se ouvia gritar "Ala, que é cardoso!" 
Madafuckas chamavam-me Tacuara 
Não passas de um lamechas só lamentas
Tu só choras não enfrentas
Porque se tentas a tua bilha não sara 
Eu tou-te aqui a ver brincar aos homens
Tens a cara dum caralho
Devias ter uma berguilha na cara.

------------------------Refrão------------------------

sábado, 11 de novembro de 2017

Mãos (largas) de coisa nenhuma.

(Dinheiro Vivo) - Como motiva os funcionários que chegam à Padaria Portuguesa a ganhar 580 euros?
(Nuno Carvalho) - "Também temos uma série de regalias. Fazemos investimento a sério nas pessoas: uma vez por ano juntamos todos os trabalhadores num arraial de verão e fechamos as lojas mais cedo. Mensalmente, reunimos com as equipas de gestão de loja, de forma absolutamente informal, fazemos um piquenique no jardim da Estrela, onde ouvimos inputs sobre o negócio, até mesmo sobre políticas salariais. Cada vez que nasce um bebé, oferecemos um creme e um babygrow e escrevo um postal de aniversário personalizado a cada um dos trabalhadores."


São estes tesourinhos patronais que, cada vez mais, me levam a questionar a bondade de certos (muitos, diga-se) empresários portugueses quando afirmam "não ser preciso o Estado impor o salário mínimo nacional".
Pois... mas depois não superam a essa bitola.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Uma mulher das Arábias


Sophia
é o primeiro robot a receber cidadania na história. E a Arábia Saudita é o primeiro país com um cidadão robótico.
Apesar dos olhos vazios, da beleza plástica e da “lavagem cerebral”, o (tristemente) curioso é que esta mulher/humanóide parece vir a ter mais direitos que os milhões de mulheres/humanas na sociedade ultra-conservadora do reino saudita. 
Talvez por isso, Sophia agradeceu e disse sentir-se muito “orgulhosa e honrada desta tão única distinção”.