Mostrar mensagens com a etiqueta Feriados. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Feriados. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Há dias assim

Eu sei que hoje haverá duas ou três sedes partidárias em que o silêncio imperará por luto.
Eu sei que hoje haverá outras tantas sedes partidárias em que que a fotografia omnipresente de Salazar terá sido disfarçada por uma qualquer imagem parecida com esta.
Mas também sei que as sedes Abertas, ou mesmo semi-encerradas, aos verdadeiros ideais de Abril/74 celebrarão hoje mais um dia importantíssimo para a Democracia portuguesa.


O que eu não sei é a razão de não se comemorar oficialmente a data (25/11/1975) com o respectivo feriado nacional para que nunca se apague da nossa memória histórica.
Incompreensibilidade que, num Estado laico como o nosso - com três ou quatro feriados religiosos - convenhamos, é inexplicável.



sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Feriado da Geringonça

DEFINITIVAMENTE, o dia 13 de Maio de 2017 ficará marcado para sempre nesta "nação valente e imortal" face aos 3 GRANDES ACONTECIMENTOS que, miraculosamente ou não, coincidiram para a elevação da nossa auto-estima enquanto estirpe comprovadamente capaz de ombrear com qualquer raça de qualquer hemisfério terreno.
Ora bem: confirmado que está o regresso do papa Francisco, incólume, ao Vaticano; pagos que estão os respectivos prémios de campeões e entregues as condecorações desportivas à equipa de futebol do SLBenfica e, claro, após a exultante vitória dos manos Sobral no festival da Eurovisão que, depois do picaresco aplauso de hoje na Assembleia da República, deverão, em breve, ir à casinha das medalhas do presidente Marcelo receber a justa condecoração pelo feito, dizia eu que, depois desta tamanha efusão nacional, nada mais restará ao Estado português, sem o mínimo risco de ferir quaisquer susceptibilidades, senão decretar o 13 de Maio como Feriado Nacional, porque, unanimemente, se tornou o dia mais feliz da maioria lusitana - aquém e além mar - e que, porque toda a gente se sentiu honrada por um qualquer dos feitos conseguidos, encherá os corações: tanto civis como religiosos.
Como corolário da ideia, e por forma a não prejudicar quem quer que seja, proponho que se elimine o feriado de 15 de Agosto (mês em que metade do país está de férias...) por troca, exactamente do 13 de Maio - Dia dos Milagres.
Bora lá, geringonça!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Trabalhadores há muitos

Como um robot, abriu a porta e entrou no escritório: levantou os estores, ligou o PC e a máquina nespresso de onde tirou um "ristreto" bebido de um só trago, sem açúcar.
Meticulosamente, assentou o iphone ao lado do tabuleiro dos "pendentes" e confirmou a password de entrada no computador. Abriu o e-mail e leu em diagonal os assuntos das mensagens recebidas, lixou os spams e, avidamente, saltou para o facebook: partilhou uma piada sobre o futebol, fez um like no post do seu candidato à câmara e, de repente, pára tudo; chegou a sua vontade pontual de ir ao wc. Aproveitou e fumou um cigarro, ou terá sido o contrário? Enfim...
Obra feita, voltou ao lugar de trabalho para concluir o comentário sobre o 1º de Maio.
- Espera aí...?! Hoje é 1 de Maio - dia do trabalhador? Feriado?
- Oh pá! não é que me esqueci? Completamente... porra! Vou-me embora. Vá lá, vá lá... só trabalhei uma horita...!

  

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Efemérides de dia de azar(?)

Silfos ou gnomos tocam?...
Roçam nos pinheirais
Sombras e bafos leves
De ritmos musicais.
Ondulam como em voltas
De estradas não sei onde
Ou como alguém que entre árvores
Ora se mostra ou esconde.
Forma longínqua e incerta
Do que eu nunca terei...
Mal oiço e quase choro.
Por que choro não sei.
Tão tênue melodia
Que mal sei se ela existe
Ou se é só o crepúsculo,
Os pinhais e eu estar triste.
Mas cessa, como uma brisa
Esquece a forma aos seus ais;
E agora não há mais música
Do que a dos pinheirais.
Fernando Pessoa

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Perdoas-lhe Senhor?


Depois da intolerância à 3ª-feira de Carnaval, parece que o Governo, prosseguindo a sua campanha anti-piegas, prepara novo ataque às tradições portuguesas, desta vez uma alteração ao ano litúrgico, de forma a obter uma Páscoa mais curta, adaptada a um país que quer ser mais competitivo.
Assim, a última ceia (de 5ª-feira) vai passar a lanche ajantarado no sábado, acaba-se o cerimonial de 6ª-feira santa e no domingo celebrar-se-á o "pacote Páscoa" ou seja: o julgamento, paixão, crucificação, morte, sepultura e ressurreição de Cristo.
Apesar de esperadas fortes reacções da Igreja ao projecto que visa o aumento da produtividade do país, o governo está convencido de que esta intenção não será classificada de pecado mortal. Logo, será perdoado!?
Oremos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Os canhões do nosso fado/hino



Provavelmente, hoje será a última vez que celebraremos o 1º de Dezembro como feriado nacional.
A recente proposta governamental de acabar com esta tradição tão querida aos portugueses (porque lembra(rá?) aos nossos vizinhos aqui ao lado que, em tempos, apesar de poucos fomos bons) deverá ser vista como um acto de coragem, porque marca no novo calendário histórico da nação o fim da sua independência.
Se, para chegar a este corajoso ponto de viragem, foi precisa muita cobardia e submissão... isso é outra história.
Aproveitemos, pois, este dia para perceber o nosso hino nacional, na íntegra.
Pode ser que o apelo às armas nos acorde e nos leve a marchar contra os canhões (seja lá o que quer que isso hoje represente)!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Republicanos há muitos, senhor presidente!

 
«O primeiro dever do republicano é contar com os demais homens, os demais partidos, as demais ideias, e praticar portanto na vida política a regra suprema de toda a moral, que consiste em nos considerarmos a nós próprios como sendo um termo de uma relação, – como uma parte de um conjunto - de que os outros partidos, as outras ideias, as outras pessoas, são o outro termo e a outra parte. Só com uma asa não se pode voar. Cumpre, não só aceitar a diversidade, mas ter o amor da diversidade e o desejo [sincero] de que ela exista.
Ora, se as aparências não erram muito, há chefes que procederam na nossa política como se considerassem o seu partido o único termo com que se deve contar, a única asa para o voo da Ideia, o soberano absoluto de Portugal: e poder-se-ia dizer ao cabo de contas que muitas das dificuldades da nossa República, e que as maiores desordens da nossa política, – vieram em suma a derivar-se de aí.
Não será desse erro que provém um outro, nos homens influentes dos nossos partidos: o de suporem que, desde que governe o seu partido, há verdadeira República na nossa terra, que basta que eles dominem para que a República exista, e que basta que eles não dominem para que não exista República?»
António Sérgio [Excerto de texto escrito em Paris em 1927]

 




sexta-feira, 10 de junho de 2011

Bold fora

Quando o Estado decidir (por ordem troikaniana) reajustar os nossos feriados nacionais, acho que o 10 de Junho deveria ser um deles.
Primeiro, porque é uma celebração que recorda a hipocrisia salazarista de homenagear os pais, as mulheres ou os filhos dos que obrigava a dar a vida por um regime que não respeitava a vida diferente da sua cartilha nacionalista.
Depois, porque Dia de Portugal (considerando que a sua fundação decorreu do Tratado de Zamora em 5 de Outubro de 1143) deveria celebrar-se em 5 de Outubro, acabando de vez com as reclamações de este ser dia da república ou da monarquia.
Ora, assim sendo, Camões teria de partilhar a sua importância com as dos outros monstros sagrados da cultura portuguesa a quem o país costuma dizer nada. Como, nada igual a nada, neste dia acabe-se o bold nos calendários.


Entretanto, aproveito o (ainda) significado deste dia para aqui fazer referência ao merecido vencedor do Prémio Camões 2011.

"Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que não é nada comigo. Distraído percorro o caminho familiar da saudade, pequeninas coisas me prendem, uma tarde num café, um livro. Devagar te amo e às vezes depressa, meu amor, às vezes faço coisas que não devo, regresso devagar a tua casa, compro um livro, entro no amor como em casa." (Manuel António de Pina)