quarta-feira, 25 de novembro de 2020

(re)Clicar para não esquecer

Quarenta e cinco anos depois, cada vez me convenço mais de que, não fora o 25 de Novembro de 1975, e a Democracia conquistada em 25 de Abril de 1974 jamais seria o que é hoje - com todos os seus defeitos e incongruências.
Por isso, seria bom que atentássemos às mensagens e mensageiros do revanchismo salazarento que, todos os dias, aproveitando a liberdade que tanto contestam, nos cheg@m por todas as formas comunicativas.


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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

INVISÍVEL HERÓI

Fernando Pessoa

Tenho tanto sentimento 


Tenho tanto sentimento

Que é frequente persuadir-me

De que sou sentimental,

Mas reconheço, ao medir-me,

Que tudo isso é pensamento,

Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,

Uma vida que é vivida

E outra vida que é pensada,

E a única vida que temos

É essa que é dividida

Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é verdadeira

E qual errada, ninguém

Nos saberá explicar;

E vivemos de maneira

Que a vida que a gente tem

É a que tem que pensar.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A guerra dos sem anos?

 "O PSD quer as Forças Armadas ao comando das operações do combate à pandemia. Não diz exatamente a que operações se refere, mas apresenta argumentos para esta proposta." (Diário Notícias 13/11/2020)

Ah pois!!! (obrigado ao psd por lançar a discussão).
Há quanto tempo ando eu a clamar que o "fdpCovid19" deveria ser tratado em regime de estado de guerra?
Nós, Portugal - país e paisanos - precisamos mesmo é de trocar a leveza das sapatilhas da moda, pelo peso das botas cardadas! Vai doer? Ah pois vai! Mas assim, acabar-se-ão as reclamações, as opinações interesseiras, as dualidades, as considerações e, extremando, as hesitações constitucionais.
Porque guerra é guerra!
E esta não é à Solnado; é real, portuguesa, europeia e mundial. 😷


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Traduções à letra



Se


Se és capaz de manter a calma
quando o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa;
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso;

Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires
tratar da mesma forma a esses dois impostores;

Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas
em armadilhas as verdades que disseste,
e as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste;

Se és capaz de arriscar numa única parada
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida,
e perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida;

De forçar coração, nervos, músculos, tudo
a dar seja o que for que neles ainda existe,
e a persistir assim quando, exaustos, contudo
resta a vontade em ti que ainda ordena: "Persiste!";

Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes
e, entre reis, não perder a naturalidade,
e de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade,

E se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo o valor e brilho,
tua é a terra com tudo o que existe no mundo
e o que mais - tu serás um homem, ó meu filho! 
 
 

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

A Caranguejola

 Nos Açores, possível descoberta da vacina anti-geringonça.

Aguarda-se apenas o entendimento dos cientistas da Direita...


segunda-feira, 19 de outubro de 2020

F(r)ICÇÕES

 
Naquela 3ªfeira
(1971) o Tó Avelar fez gazeta. No grupo de estudo ficámos apenas nós dois: eu e Teresa Belmonte, tentando, desesperadamente, tarde adentro, melhorar os conhecimentos vendidos pelos mestres da computação IBM durante as aulas semanais de Lógica Aplicada, RPGII, FortranIV e Assembler, cujo exame final seria daí a três dias.
Noite feita, infalivelmente, surgiu "o que vamos jantar?"; e, infalivelmente também, a proposta gasta de "vamos ali ao Noite & Dia picar qualquer coisa".
Cumprido o snack, caminhámos em silêncio, Duque de Loulé acima,
(eu) sem vislumbrar alternativa ao Mah-Jong com que (a três) sempre findávamos o dia de estudo. De repente atirei: 
- Que andas a ler, Teresa?
- Ficções de Jorge Luís Borges
(suficientemente espanholado), conheces?
- Não, mas parece ser autor espanhol, não?
- Argentino, muito bom. Queres conhecê-lo? Vamos lá a casa. Vais gostar! 
E fui.
E gostei. Não do livro, porque acordei, às duas ou três da madrugada, com ele a magoar-me as costas nuas. Gostei dos argumentos da sua leitora e, principalmente, da forma desafiante com que, então, me que confrontou:
 - ¿te gusta? (suficientemente espanholado)
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(É claro que, anos mais tarde, conheci, de facto JLBorges, lendo as suas "Ficções". Mas hoje, passei por "ele" num escaparate e não resisti. Trouxe-o para uma leitura mais atenta - como são sempre as releituras. Borges merece-o. Teresa Belmonte, também!)


 

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Nobel Literatura 2020

LOUISE GLÜCK, poetisa e ensaísta norte-americana, ganhou hoje o Prémio Nobel da Literatura. Nasceu a 22 de Abril de 1943, em Nova Iorque, neta, pelo lado paterno, de judeus húngaros. Apesar de praticamente desconhecida em Portugal, encontram-se três poemas seus em bit.ly/34Eo7vs, dois, traduzidos por Rui Pires Cabral e publicados, em 2009, na revista “Telhados de Vidro” nº. 12, da Editora Averno, e outro, “mudado para português“, por Francisco José Craveiro de Carvalho.

"Era um tempo
de espera, de acção suspensa.

Eu vivia no presente, que era
a parte do futuro que podíamos ver.
O passado pairava sobre a minha cabeça,
como o sol e a lua, visível mas inalcançável.

(mais aqui)