sexta-feira, 21 de maio de 2021

Nunca tantos poderão dever tanto a tão poucos

Segundo a generalidade da imprensa, "a incidência da pandemia subiu nos últimos dias quer na região de Lisboa e Vale do Tejo quer, mais especificamente, no concelho de Lisboa, sendo que, de acordo com vários especialistas, esta evolução deverá estar relacionada com os festejos da conquista do título nacional de futebol."

Ora, a confirmar-se, esta "infelicidade" irá gerar a maior manobra de contorcionismo da governança (em modo pandemia) de António Costa, devido à exigível aplicação das Regras do Desconfinamento em Lisboa, tal como tem sido feito até aqui nos concelhos mais fora da respectiva matriz de risco. É claro que a cor da bandeira não foi o motivo; mas, provavelmente, os afectados serão muitos mais que os infectados, o que piorará as consequências. E, o que parece ser tão mau, é que, de novo, e desavergonhadamente, a culpa irá morrer solteira:
-Não haverá organizadores responsabilizados, nem clube ou seus clubinhos processados, director geral de Saúde negligente, presidente da câmara comprometido, comando policial incompetente, ministro (teimosamente) por demitir e, talvez mesmo, uma moção de confiança por apresentar no parlamento. Esperemos que não, sinceramente, mas as próxima semanas poderão vir a dar razão a W.Churchill quando afirmou "nunca tantos deveram tanto a tão poucos" - porém os nossos "poucos" não serão os heróis, antes os vilões; essa é que é essa...

terça-feira, 18 de maio de 2021

Até onde chega o rio ?

 ... ou como um conto de fadas (ou será bruxas?) nunca esteve tão perto de se parecer com a vida político-partidária portuguesa.



quarta-feira, 5 de maio de 2021

Língua Portuguesa


고은성 em sul-coreano (supostamente) significará "amar pelo dois" em português.
E, como hoje se celebra o Dia Mundial da Língua Portuguesa - o 5º idioma mais (293 milhões pessoas) falado no Mundo, deixo aqui esta preciosidade, encontrada no YouTube, que ilustra bem essa universalidade e que acaba por nos envolver, também culturalmente, com o resto do mundo.

terça-feira, 20 de abril de 2021

Penichopatia(s)

Devido  excelência do resultado verificável no passadiço sobrelevado de acesso à praia da "Baía", confesso que remeti para o benefício da dúvida a dificuldade de compreender a construção do passadiço (porque) mesmo ao lado do acesso já existente à praia da "Tupatur/Baleal Campismo".
Porém, as voltas e reviravoltas do passadiço da Cova D'Alfarroba (a lembrar as "voltinhas do Marão") levam-me a questionar a bondade do projecto, porque o aparente excesso de metros de madeira estendidos naquele local poderia - com mais umas tábuas - ser utilizado na duna situada por detrás do monumento à Nª Sª Boa Viagem que, naturalmente, vai continuar a ser o caminho preferido dos moradores de toda a zona habitacional envolvente à Escola da Prageira e dos veraneantes que por ali estacionam na época balnear, pondo, assim, em causa alguma da eficácia da protecção do ecossistema dunar que, justamente, presidiu ao lançamento da obra.
Às vezes penso que esta minha penichopatia será um pouco excessiva, mas é a forma que tenho de ver em Peniche o que a outros olhos, porventura mais responsáveis, escapa.
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E, em estilo Post Scriptum: se, por acaso, sobrarem umas tabuínhas desta obra, bem que podiam fazer um acesso decente à Praia do Porto d'Areia Norte: o que existe nem aos cães serve...

quarta-feira, 24 de março de 2021

Escolh'outro

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Não é que o PS não tenha culpaS no cartório das privatizações, mas a verdade é que, quererem (quer a Direita ressabiada, quer a Esquerda encornada) fazer puxa-saco com Pedro Nuno Santos, não será o mais indicado.
Primeiro, porque - à moda dos "homens do norte" que não vão à manicure aparar a ponta das unhas - ainda faz gala de dizer (quase) tudo o que tem na cabeça e não nas folhas A4 com o emblema, vindas das ¿sedes?
dos partidos.
Depois, porque não hesita em confrontar a versão SARS-cov2 do capitalismo que os advogados do neoliberalismo à portuguesa defendem, quando acusam o Estado de não ressarcir minimamente os prejuízos das empresas e empresários (que na minha terra se chamam "barcos da casa") com quem, incessantemente, arquitectam formas de não declarar lucros colectáveis.
Por último, porque PNSantos faz da voz a sua melhor arma; e se o timbre lhe facilita o discurso, a sua alta frequência e intensidade podem valorizar o seu argumentário em hemiciclos políticos tão disfónicos (e afónicos) como os que frequenta e que, quer como governante, quer como militante partidário, fazem dele mestre da democrática hipocrisia política portuguesa que, há 47 anos, tirou o Poder à outra hipocrisia política portuguesa: a de Deus, Pátria e Família!

domingo, 21 de março de 2021

Domingo, dia de tomar banho e...

...IMAGINAR "onde escolherias ficar, se o fim do mundo estivesse próximo? se houvesse mais cinco minutos de ar?"


terça-feira, 2 de março de 2021

Ode assimétrica à Papôa

Há dezenas de anos que por aqui passo, dia sim dia não, ou nem tanto, ou talvez não...
Cruzei com gente de todo o lado: fina, grosseira, ordinária, delicada, brejeira, nacional ou estrangeira.
Assisti ao nascer e ao pôr do sol,  senti ondas e marés de todos os tamanhos; olhei gaivotas, corvos, galhetas e pássaros estranhos.
Senti trovoadas, ventanias, chuvadas e noites frias.
Mirei o céu azul ou verde-mar, pelei em dias solarengos de queimar.
Vi polícias, topei ladrões, gritei aos bandidos das infrações.


Aqui nunca cheguei a tempo de salvar quem correu prá morte, mas irritei-me com muitos dos que dela troçam, e da sorte.
Por aqui já vi fazer o amor, ou rezar a deuses e macumbeiros. Inspirei guanos, perfumes e cheiros.
Notei gente cansada do seu dia, ou grata pelo que a noite lhe deu - sem agonia.
Há dezenas de anos que por aqui passo e, nunca como hoje, senti o enorme vazio desta paisagem. 
Então, curiosamente, lembrei-me que aqui nunca vi ninguém chorar.
                                                                             Por isso chorei eu!