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quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

2021 - ano de merda

Este é um post de Solidariedade; solidariedade com quem perdeu entes muito queridos e amigos, com quem sofreu pelo adiamento constante do tratamento das suas doenças fora do universo Covid, com quem foi afectado por problemas da saúde silenciosos - violentadores das suas capacidades mentais - e sentiu o desprezo do Sistema pelo seu sofrimento,  solidariedade com os crentes da ciência que, mesmo respeitando todas as suas regras, foram, eles próprios e família, apanhados pelas sucessivas vagas pandémicas e serão, por certo, alvo de sequelas futuras. Solidariedade ainda, com todos os que viram empregos perdidos e projectos adiados e outras vidas completamente interrompidas, por causa dos sucessivos confinamentos de tudo o que significava bem estar - lazer, diversão, viagens, encontros de famílias/amigos, com sentimentos abruptamente reduzidos a "likes" 😘💓💋 mensagens e  fotos através desse grande, mas insensível meio comunicador das redes sociais.  

Por tudo isto 2021 foi um ano de merda! 

Mesmo considerando algumas coisas positivas que tenhamos conseguido, no final das contas, o saldo para quase todos nós é negativo. Seja por conta da pandemia e das suas consequências, seja pela incerteza que, desde agora, nos aconselhará a imaginar o Futuro

Porque precisaremos de muito trabalho para desfazer o que o mundo, e até algumas pessoas que tem poder para fazer algo, fizeram connosco esse ano (de merda), agarremo-nos ao que for verdadeiramente importante - como nossa família e nossos amigos - e a partir daí tentar construir algo que nos garanta o mínimo de paz em 2022.

sexta-feira, 21 de maio de 2021

Nunca tantos poderão dever tanto a tão poucos

Segundo a generalidade da imprensa, "a incidência da pandemia subiu nos últimos dias quer na região de Lisboa e Vale do Tejo quer, mais especificamente, no concelho de Lisboa, sendo que, de acordo com vários especialistas, esta evolução deverá estar relacionada com os festejos da conquista do título nacional de futebol."

Ora, a confirmar-se, esta "infelicidade" irá gerar a maior manobra de contorcionismo da governança (em modo pandemia) de António Costa, devido à exigível aplicação das Regras do Desconfinamento em Lisboa, tal como tem sido feito até aqui nos concelhos mais fora da respectiva matriz de risco. É claro que a cor da bandeira não foi o motivo; mas, provavelmente, os afectados serão muitos mais que os infectados, o que piorará as consequências. E, o que parece ser tão mau, é que, de novo, e desavergonhadamente, a culpa irá morrer solteira:
-Não haverá organizadores responsabilizados, nem clube ou seus clubinhos processados, director geral de Saúde negligente, presidente da câmara comprometido, comando policial incompetente, ministro (teimosamente) por demitir e, talvez mesmo, uma moção de confiança por apresentar no parlamento. Esperemos que não, sinceramente, mas as próxima semanas poderão vir a dar razão a W.Churchill quando afirmou "nunca tantos deveram tanto a tão poucos" - porém os nossos "poucos" não serão os heróis, antes os vilões; essa é que é essa...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Não é uma pena, é uma vergonha!

"Isn't it a Pity" - foi uma canção que George Harrison escreveu (1966) sobre a separação dos Beatles, e que interpretou na carreira a solo entretanto seguida.
Poucos anos mais tarde, Nina Simone aproveita-a, e com alterações mais ou menos profundas - através da excelência da sua interpretação sempre carregada de emoções - faz dela uma obra prima onde se questionam direitos civis, a guerra (Vietnam), as lutas de classes, e, ao fim e ao cabo, o futuro da Humanidade.
Nada que hoje, cinquenta anos passados, esteja minimamente resolvido.
Nada que, neste preciso momento, não nos faça sentir vergonha...


"isn't it a pity

isn't it a shame

yes, how we break each other's hearts

and cause each other pain"




segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Estado de guerra


Quando vamos (todos) perceber a Guerra, aliás, as guerras que enfrentamos?
Contra um vírus violento e mortífero; contra o egoísmo e o laxismo; contra quem fomenta a ignorância militante, a discórdia e a culpabilização das instituições públicas; contra quem se julga acima da Lei; contra quem nega as evidências científicas da pandemia e seus tratamentos; contra os oportunistas que falseiam dados, produtos e opiniões em prol de benefícios indevidos; contra falsas profecias, solidariedades travestidas e os versículos da hipocrisia; contra a impunidade da infracção. E, principalmente, nas batalhas anti-pandémicas, contra a luso-tendência de usar a inteligência e o conhecimento no DEPOIS, em vez de no ANTES. Portanto, acabem com os estados de emergência perfumada. Se é guerra, tem de cheirar, saber e doer como tal.

A todos! 😷

domingo, 30 de agosto de 2020

Os EUCALIPTOmens

Há homens que, pelas suas características comportamentais junto da Sociedade, nos levam a compará-los com o eucalipto - por ser uma espécie que se destaca por secar tudo à sua volta.
Sendo indivíduos, por regra, com assinalável facilidade de expressão e  relacionamento, delicados e que, geralmente, conhecem muito bem o ambiente e o seu auditório
 a quem, com simplicidade, transmitem as suas ideias, recorrendo a frases feitas e narrativas exaustivamente multiplicadas.
Rodeiam-se de correlegionários, de obediência inquestionável, a quem, pontualmente, atribuem uma aparente liberdade de discussão - sempre encerrada com a sua razão - exortada pela sua eucaliptal voz dominante.
Dispõem dos "fiéis” como peças (brancas e/ou pretas) pelos vários tabuleiros do xadrez em que jogam, sempre atentos às jogadas que os ofusquem e retirem do centro das atenções; assim controlando as diversas organizações do seu ambiente
De enganos raros - porque do lado certo(...) estão sempre atentos a veleidades ou movimentações que suscitem o aparecimento da diversidade,  inventam  sempre as desculpas e os responsáveis pelas eventuais promessas incumpridas – chegando a viciar factos para tentarem criar a ilusão de que tudo está bem no ambiente que os envolve.
Mesmo que o deserto avance, obstando ao desenvolvimento renovado de causas e comportamentos.

domingo, 7 de junho de 2020

O burro chamado Cu

 "Um aldeão entrou numa corrida com um burro chamado CU e ganhou.

O aldeão ficou tão feliz que entrou novamente noutra corrida e voltou a ganhar. É então que o jornal local publica a notícia:

“Cu do aldeão pápa os outros...

O padre da aldeia fica incomodado e pede ao aldeão para não voltar a participar em corridas de burros. No dia seguinte o jornal publica:

“Prior da aldeia trava CU do aldeão…”

Foi foi demais para o padre, que, irritado, ordena ao aldeão que se livre do burro.
Resignado, o aldeão decide presentear uma freira conhecida de um convento próximo. 
O jornal fica a saber e publica o seguinte:

"Freira tem o CU mais desejado da paróquia."

O pároco, depois de recuperar do desmaio pós-leitura, comunica à freira que se deve livrar do burro e ela vende-o por 10 euros.
O jornal descobriu o negócio e publicou:

“Freira vende o CU por 10 euros.”

A notícia abalou tanto o prior, que só o tratamento do médico da aldeia o serenou. No entanto, chamou a freira e ordenou-lhe que voltasse a comprar o burro e o libertasse nas planícies da região, deixando-o viver em liberdade.
No dia seguinte os títulos das notícias rejubilam:

“Freira anuncia que o seu CU é selvagem e livre.”

O padre é enterrado no dia seguinte.


Moral:
Preocupar-se com a opinião pública pode trazer muita dor e miséria, até encurtar a vida. 
Pare de se preocupar com o cu dos outros e cuide apenas do seu. 😅



domingo, 24 de maio de 2020

Suplício de Tântalo (em full screen)


Não bastavam o vosso querer e o nosso não poder (ou vice-versa)? As leis da vida impondo-nos (ingratas) normas de carinho? Saber que, mesmo perto, não estamos lado a lado? Sentir que a melhor rede comunicativa é a pessoal? 
Não era suficiente (sobre)vivermos encurralados entre o vírus fdp e o medo? Acordar todos os dias com o sabor amargo do pesadelo? Não poder arriscar um passo na escuridão do nosso futuro?
Não chegava?
Deixam apenas ver-mo-nos, sem nos tocarmos, nem sentir o frio ou o calor de cada um de nós - como se fôssemos assassinos, de psicopatias enfermos. Como os deuses castigaram Tântalo.
Mas tem de ser assim; porque, depois, "vai ficar tudo bem"!
Talvez, para outros pais, filhos, netos, avós - de outras gerações. 
Para nós nunca mais ficará tudo bem.
Até porque, como estava, já não o estava!



terça-feira, 5 de maio de 2020

O preço da sobrevivência


Até este momento, o vírus fdp já infectou 3.673.468 pessoas e matou 253.404.
O planeta anda numa tremideira histórica com milhares de pessoas confinadas e as economias dos países em risco recessivo. O mundo tal como conhecemos até há dias atrás alterou-se, remexendo o nosso modo de vida.
Mas há que continuar. Como? Que rota deveremos tomar individual e colectivamente?
Com a "ajuda" do jornal espanhol "El País", aqui fica uma interessantíssima opinião/resposta à questão, dada por 
Stephan Lessenich - sociólogo alemão, professor na Universidade de Munique:
"O coronavirus forçou-nos a mudar nossos hábitos de consumo. Com as lojas fechadas, as pessoas confinadas e a produção parcialmente suspensas, os parâmetros do possível, o necessário e o acessível foram alterados fundamentalmente. De repente, a renúncia a alguns modos de consumo não é questão de disposições individuais, mas sim de condições estruturais.
É fácil... encontrar um lado bom para o vírus. Mas a sua irrupção brutal pode ser o princípio de um debate sobre a economia do necessário, o essencial, o vital. Precisamos de unhas artificiais, cabeleireiros caninos, futebol profissional? Quem precisa de relógios que valem tanto quanto um carro, carros que pesam tanto quanto um tanque, tanques que reprimem protestos e destroem vidas? Que produtos garantem a sobrevivência individual, que bens garantem o bem-estar colectivo, que os serviços são essenciais à reprodução social?"

Será que a linha que separava o viver do existir vai estreitar-se e teremos de nos contentar em modo sobrevivente?

terça-feira, 21 de abril de 2020

Sem restrições de forma



Às vezes, como antídoto de temer a sorte, falo com as estrelas.
Deitado no chão a vê-las, pergunto se temem a morte:
o fim do brilho e luz que nos dão, sugados pela escuridão.


Às vezes, como antídoto de temer a morte, falo com Deus;
em directo ou pelos Seus, pergunto se mereço a sorte
de viver prisioneiro assim: sem Vida, sem os meus… 
                   sem mim.

terça-feira, 7 de abril de 2020

Lê e cuida-te

A versão em português do Manual de prevenção e controle do Covid19, segundo o doutor Wenhong Zhang - médico chinês especialista em doenças infecciosas e referência no tratamento do novo coronavírus, foi oficialmente publicada no Brasil e passou a estar disponível gratuitamente pela internet em formato PDF (basta clicar acima, no título do manual) , explicando o novo coronavírus em linguagem corrente, dando muitas informações úteis sobre os comportamentos fundamentais a adoptar para a nossa  protecção individual e colectiva no quotidiano.
Publicado no Brasil, mas em língua portuguesa; portanto, bora lá saber mais qualquer coisa sobre o fdp que nos vem obrigando a viver uma vida que não é a nossa!

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O cocktail da Esperança

Vivemos tempos que, inexoravelmente, reclamam de nós forças para menosprezar medos, superar egoísmos, reagir a indiferenças e fazer da solidariedade profissão de fé.
A grande batalha diária por que passa a nossa sobrevivência exige-nos uma grande dose de Esperança - derivada de fés materiais e/ou espirituais, ou assente, simplesmente, em vivências e pragmatismos.
(Ainda)
Não sabemos quando, nem como. Sabemos apenas que QUEREMOS, muito, ficar TODOS BEM!
Haja Esperança, pois!
[
"A esperança é um alimento da nossa alma, ao qual se mistura sempre o veneno do medo" (Voltaire)]

domingo, 29 de março de 2020

Domingo, dia de tomar banho e ... (de ESPERANÇA)

O realizador Pedro Varela e o seu amigo, cantor e compositor, Flávio Cristóvam decidiram unir forças e fazer uma obra que se está a tornar num hino de Esperança. 
"Nestes tempos estranhos, em que todos nos encontramos um pouco assombrados pela ansiedade, procuramos dentro de nós a melhor forma de a combater; esta é a minha pequena tentativa de mandar um grito de Esperança para todos aqueles que neste momento mais precisam.
Fiquem bem. Separados lutamos, juntos resistimos. Um abraço a todos"[Flávio Cristóvam (Açores)]





quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Os abiscoitados

Para quem acha que a actual "invasão (160.000) brasileira " vai muito (bastante) além dos históricos grupos do futebol, restauração e serviços sexuais, e, ao mesmo tempo, tem acompanhado as controvérsias que envolvem as publicações do grupo humorístico Porta dos Fundos, aqui fica o seu vídeo mais recente, desta vez dedicado a Portugal e, mais exactamente à "imigração que anexou Lisboa" e cuja nota introdutória nos desafia, de imediato, para uma grande capacidade de encaixe em nome da Lusofonia, da solidariedade e, principalmente, do (bom) humor:
"A vingança vem a cavalo! Depois de vocês virem aqui, comprarem nosso povo com espelho e especiarias, escravizarem nossos índios, roubarem nosso ouro, nós finalmente conquistamos o seu país! Agora vocês não vão poder mais fazer um bico na casa de banho, muito menos dar uma cambalhota abusando da maçaneta! Quem manda somos nós! Os portugueses não passam de uns abiscoitados que não sabem o que estão fazendo! Então brasileiro, podem estufar o grande capado porque Portugal deu o peido mestre! Agora é Brasil!" 




domingo, 5 de janeiro de 2020

Um brinde ao Bukowski


"Bom dia!” – disse ela, ao entrar na cafetaria, cumprindo apenas o ritual da boa educação.
Quis responder, mas o calor da sua voz, os seus traços finos, mas não delicados, e a simetria perfeita das suas formas perturbaram-me tanto, que o coração "taquicardiou", inibindo-me por completo qualquer tipo de reacção cavalheiresca.
E assim - nessa paralisia adolescente  -fiquei até vê-la sair, poucos minutos depois, lançando-me um olhar-sorriso lascivo, desafiante, mas ao mesmo tempo duma arrogância proibitiva castrante... 
Morri.
Fosse eu poeta e desesperaria para cantar tamanha transcendência.
Valha-me(?) ser apenas um medíocre contador de estados de alma!

sábado, 20 de julho de 2019

Cinzentismos

A hipocrisia lusitana parece ter descoberto agora que, afinal, há racismo em Portugal. Então, vai daí, reduza-se tudo a "preto e branco"!
As opiniões
(umas mais corajosas que outras) dividem-se, mas não deixa de ser curiosa(...) a pandemia de daltonismo que, repentinamente, infectou a Sociedade portuguesa, especialmente a  mais (pseudo)moralista - tendencialmente mais progresssista, mas com  muitas subscrições conservadoras.
Agora, e parece que só agora, é que descobrimos que o "lusotropicalismo" era, e é, o placebo aceite como paliativo do racismo social e cultural que, uns mais que outros - e independentemente da raça, cor ou credo - sentimos, naturalmente,  de forma e intensidade diferentes.
É claro que o aproveitamento político da questão entrou na ordem do dia; é claro que os "political digital influencers" e os "snipers" partidários vão enchendo as páginas sociais de articulados prós e contras, enfim... nada que acrescente valor à eliminação do mito do "não- racismo" porque, contrariamente ao que se procura empolar,  em Portugal a Questão não será assim tão diferente da de outros países -  quer, principalmente, ex-colonizadores, quer ex-colonizados - onde "a democracia racial" (Brasil) ou "the colour blindness" (EUA, Reino Unido, Austrália, etc.) apenas terão reclassificado as formas de discriminação racial mais contemporâneas.




A forma de nos considerarmos "uns aos outros", será, apenas e naturalmente, uma questão cultural; mas, para as ainda muitas gerações vivas do século passado,  em primeiro lugar,
(ainda) há que vencer os constrangimentos biológicos intrínsecos aos quatro séculos da doutrina cromática da sociedade colonialista que não facilitam a eliminação definitiva do preconceito rácico, ficando-se pela tolerância - ainda longe do zero!

terça-feira, 16 de abril de 2019

Coulrofobia


Senta-se em frente do médico e diz que está deprimido; que a vida lhe parece cada vez mais dura e cruel. Conta que se sente só, num mundo ameaçador onde o que se anuncia é vago e incerto.
Serenamente, o médico aconselha-o:
- O tratamento é simples; o grande circo está na cidade, assista ao espectáculo - especialmente ao número do palhaço, ele vai animá-lo!
Desfazendo-se em lágrimas. o homem responde:
- Mas, doutor... esse palhaço sou eu!


terça-feira, 15 de janeiro de 2019

Honestidade

Sessenta e cinco anos depois de Noel Rosa ter musicado o tema, a pergunta mantém-se:



Você tem palacete reluzente
Tem jóias e criados à vontade
Sem ter nenhuma herança nem parente
Só anda de automóvel na cidade
E o povo já pergunta com maldade:
Onde está a honestidade?
Onde está a honestidade?
O seu dinheiro nasce de repente
E embora não se saiba se é verdade
Você acha nas ruas diariamente
Anéis, dinheiro e até felicidade
Vassoura dos salões da sociedade
Que varre o que encontrar em sua frente
Promove festivais de caridade
Em nome de qualquer defunto ausente

domingo, 13 de janeiro de 2019

Velho não: reciclável

Apesar de não ser fácil, a "vida de reformado" - normalmente atingida entre os 60  e os 65 anos - não pode ter como única preocupação o passar dos dias e a sobrevivência: antecipando um "finalcountdown" triste, cinzento, isolacionista - de porta aberta a uma morte precoce. Há (muito) mais vida para além disso.


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Retalhos da puta da vida

A minha caminhada diária (neste caso, nocturna) de meia hora estava quase vencida.
Apesar disso, a pouco mais de dois ou três minutos de casa, fui abordado, educadamente, por aquela figurinha esbelta, mas pouco atraente - qual adolescente envelhecida pela magreza excessiva e algumas marcas de "horas más":
- Ó vizinho, não há pr'aí um €urito pra eu comer uma sopa ali no Continente?
- Não, tem paciência! - respondi, desconfiando da justa causa do pedido.
Face à veemência da minha recusa, a miúda desafiou:
- Então... e não quer que lhe faça qualquer coisa para ganhar uma notinha?
- Quero! - respondi, acrescentando de imediato:
- Dizes-me a verdade!
- Ok, prontos; eu tou a ressacar e preciso de uma ganza, senão enlouqueço! - confessou.
Em silêncio, dei-lhe os dois únicos euros que levava no bolso.
Em uníssono, gritámos um silêncio reactivo à promiscuidade inquietante dos dependentes e fomos à(s) nossa(s) vida(s).
Eu, à puta da vida.
Ela... à outra!