quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Bom dia Sofia


Tempo de solidão e de incerteza
Tempo de medo e tempo de traição
Tempo de injustiça e de vileza
Tempo de negação
Tempo de covardia e tempo de ira
Tempo de mascarada e de mentira
Tempo de escravidão
Tempo dos coniventes sem cadastro
Tempo de silêncio e de mordaça
Tempo onde o sangue não tem rasto
Tempo da ameaça

Sophia de Mello Breyner

1 comentário:

Anónimo disse...

O poema é adequadíssimo à época da agressão toikiana que atravessamos.
Mas o tema "Fantoche" do Carlos Paredes assenta aqui que nem uma luva.

Excelente.

Anónimo (obviamente)