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domingo, 18 de fevereiro de 2018

Domingo, dia de tomar banho e

... aprender a parábola judaica sobre o dia em que mentira e a verdade se encontraram.
"A mentira disse para a verdade:
- Bom dia, dona Verdade.
E a verdade foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não viu nuvens de chuva, vários pássaros cantavam e vendo que realmente era um bom dia, respondeu para a mentira:
- Bom dia, dona mentira.

- Está muito calor hoje, disse a mentira.
E a verdade vendo que a mentira falava a verdade, relaxou.
A mentira então convidou a verdade para se banhar no rio. Despiu-se de suas vestes, pulou na água e disse:
-Venha dona Verdade, a água está uma delícia.
E assim que a verdade sem duvidar da mentira tirou suas vestes e mergulhou, a mentira saiu da água e vestiu-se com as roupas da verdade e foi embora.
A verdade por sua vez recusou-se a usar as vestes da mentira, e, por não ter do que se envergonhar, saiu nua a caminhar na rua.
E aos olhos de outras pessoas era mais fácil aceitar a mentira vestida de verdade, do que a verdade nua e crua."(Jackson Nunes)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

A moeda do cabaço

Nos meus tempos de "adolescente inconsciente", era comum ouvir-se dizer que a virgindade feminina era um atributo quase indispensável para o casamento, sendo correntes as expressões "ter os três vinténs" ou "não ter os três vinténs" consoante o estado da menina, ou, pior ainda, se a virgindade lhe era oferecida, o felizardo cantaria "já lhe tirei os três vinténs"!
Até hoje, confesso, nunca percebi qual era a origem dessas expressões. Porém, um destes dias, o mundo blogueiro surpreendeu-me com a explicação que aqui deixo
É claro que estas expressões, à luz da igualdade dos sexos, eram altamente pejorativas, revelando os resquícios da mulher-objecto fruto da cultura então prevalecente na sociedade portuguesa com o alto patrocínio do Estado e da Igreja dessa época.
Hoje, felizmente, vivem-se outros tempos, em que as mulheres alcançaram um elevado grau de emancipação e gerem a sua virgindade como muito bem lhes apraz.
Por isso, será natural que, agora, os três vinténs tenham apenas interesse numismático, deixando a utilização da expressão para além disso ao léxico dos idiotas (sem três dedos de testa...).


sexta-feira, 25 de março de 2016

Arrasas de coisa nenhuma


Há pouco, ao passar por estas fotos, lembrei-me de que eu ainda sou do tempo em que havia peixe em Peniche, havia barcos de pesca em Peniche, havia "vida" em Peniche.
Hoje, é certo, Peniche continua a ter alguns barcos, algum peixe e alguma "vida". 
Mas não é a mesma.
Naquele tempo havia sardinhas, carapaus, cavalas e chicharros (para não falar no saudoso marisco e peixe grosso) em tal quantidade que "arrasavam". Não sendo estranho, portanto, uma "arrasa" de sardinha ou de "charro". Espécies cuja pescaria resultava numa maré tamanha de quantidades - nem sempre de rendimentos.
Outras gentes, outras vidas, nada, nada invejáveis pela sua dureza e (des)compensações; apenas o tempo, aquele tempo de abundância, me traz saudades - do mar e das marés que contribuíram para a identidade desta terra, o que, aos poucos, vem perdendo, fruto da descaracterização a que a cegueira da modernidade duvidosa a tem levado.  



sábado, 21 de fevereiro de 2015

Jogos tradicionais portugueses



Escolhida a jogadora que irá fazer de cabra-cega, vendam-se-lhe os olhos.
Os restantes jogadores formam uma roda e dão as mãos.
A cabra-cega ficará no centro da roda e em seguida, os jogadores da roda começam o seguinte diálogo com a cabra-cega:
“Cabra-cega de onde vens?”
“Do moinho.”
“O que trazes para nós?”
“Pão e vinho.”
“Dás-me um bocadinho?”
“Não!”
Então, os jogadores rodando à sua volta da roda dizem, em coro: “Gulosa, gulosa, gulosa...” - que repetem até a cabra-cega encontrar alguém.
Quando tal acontecer, os restantes calam-se para que a cabra-cega identifique, através do tacto, quem encontrou...


sábado, 6 de março de 2010

As danças da matança

1ª meia dança: amarrar o porco, lavar-lhe o focinho e matá-lo com uma facada rápida directa ao coração.



2ª m
eia dança: chamuscar e rapar os pelos do porco morto e lavá-lo em água corrente.



3ª me
ia dança: pendurar o porco, esventrá-lo e cortá-lo ao meio.




4ª meia dança: preparar carne e fressuras para o primeiro repasto.
Acreditem, hoje experimentei as danças de uma matança de porco. Quatro meias danças (à voz do dono do porco) de um único gole de cada vez, ou seja: por cada episódio, meio copo de vinho, tinto do verdadeiro, da "uva da casa".
Uma excelente jornada à antiga portuguesa - sem futebol nem política, sem facebook's nem e-m@il's, dvd's ou sms.
Cumpriu-se a tradição. Viva a dança ! (de preferência, tinta
!)