quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Zebras do Fialho

Eu sei, tu sabes, ele sabe, ou seja, todos nós sabemos que o maior saco roto que existe no município de Peniche é o pelouro do trânsito - tão raras são as queixas, esclarecimentos ou sugestões que mereçam atenção, resolução ou consideração.
Enquanto cidadão, não me considero um grande activista no que respeita à abordagem da temática "Trânsito em Peniche". Há-os muito mais veementes e importantes que eu. No entanto, tenho utilizado as diversas formas de contacto disponíveis para, essencialmente, alertar directa ou indirectamente quem de direito
(diga-se Freguesia de Ajuda e Câmara Municipal) sobre diversos pormenores que poderiam contribuir para mais segurança na circulação rodoviária e pedonal na cidade.
Por isso, e apesar de considerar a tarefa meio-quixotesca, hoje, deixo aqui uma pergunta/sugestão sobre a Avenida Monsenhor Manuel Bastos R. Sousa - no percurso da ex-recta do Fialho:
Será que os frequentadores e/ou visitantes da praia de Peniche-Cima, que utilizam a escadaria como acesso, não estariam mais seguros se aí próximo existisse uma passadeira de peões?
(Como, aliás, existe nas 1ª e 3ª escadarias).
O constante atravessamento de peões (irresponsáveis...) por zona desprotegida, mas desafiante, é um perigo eminente a merecer que o bom senso e atenção da autarquia atenuem os riscos de forma simples e rápida.
     

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Olh'o sol que há em mim

Comemorando o Dia Mundial da Fotografia, aqui fica a minha escolha das fotos em que, ao registá-las, mais me sinto próximo do sol.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Surfistas fatelas

Tinham recebido o voucher há dois meses como prenda de casamento. A oferta, apesar de um pouco comum, era desafiante, especialmente, para quem, vindo de Trás-os-Montes, frequentava praia e mar dez ou quinze dias por ano.
Organizaram-se, e na manhã do primeiro dia de Agosto aí estava o casalinho, João e Gena, na capital do surf, à porta do "Medão das Ratas - Surf School" apresentando o voucher que lhes dava direito a cinco lições/pessoa 
(já pagas) para a prática do mais famoso desporto de verão em Portugal.
O recepcionista da escola olhou para o voucher e de imediato comunicou-lhes não haver monitor português disponível para a semana em curso, o que lamentava.
Como as suas reclamações merecessem sempre resposta negativa, João e Gena  abandonaram o local, completamente fora de si.
A ira era tanta que, provavelmente, alimentou a ideia luminosa entretanto surgida: à tarde, logo a seguir ao almoço, João e Gena voltaram ao "Medão das Ratas", desta vez disfarçados - de calções e camisas estampadas, havaianas nos pés, óculos escuros e cabelos desgrenhados.
Instado pelo mesmo recepcionista ao que vinham, João, aparentando dificuldade em perceber a pergunta,  respondeu:
- Seni doland toggren pistiyo frozuc surf.
O recepcionista, completamente surdo ao idioma, retorquiu: "Do you speak english?"
- Yes, repondeu João.
- Ah, ok! Ó Zé Carlos, chega aqui que tenho dois camones de casa-do-c*r*l** para tu ensinares a surfar!

quinta-feira, 25 de julho de 2019

The 67th blues

À medida que a idade avança, aumenta o drama, não de ser velho, mas o de (ainda) nos sentirmos novos, ou o de muito querermos ser tão jovens na acção como ainda nos imaginamos.
Mas "ela" não perdoa, e todos os dias faz questão de se afirmar - ao espelho, num "ai" extemporâneo, num tremor inesperado, numa desmemória ou numa hesitação, em suma, numa qualquer indisposição que sempre procuramos desculpar(?) com a "puta da idade".
Seja como for, é-nos sempre grato, pelo menos uma vez por ano, passar um dia em que, apesar de acrescentarmos mais um número à vida, nos rodearmos do melhor que ela nos tem dado. E comigo tem sido pródiga nos amigos e, principalmente, na família - a maior razão de continuar a querer não ser velho, ou, como disse Vergílio Ferreira: "continuar a ser como música... mas num outro tom!"
É isso mesmo; não é preciso sambar, basta-me um tocar em tom de "blues" (de que tanto gosto).


  

terça-feira, 23 de julho de 2019

An englishman in Penixima


Momento "smartphoto" feliz ao encontrar esta maravilhosa personagem em pleno dia de verão cinzento na praia de Peniche-de-Cima  (leia-se Penixima) concentradíssimo nas perfomances surfistas de algum aluno (provavelmente seu familiar) das turmas que ali tentavam aprender a inventar drops em mar flat.

Não resisti, e, lembrando-me de Sting cantando "Oh, I'm an alien, I'm a legal alien" chamei-lhe "englishman in Penixima" 

sábado, 20 de julho de 2019

Cinzentismos

A hipocrisia lusitana parece ter descoberto agora que, afinal, há racismo em Portugal. Então, vai daí, reduza-se tudo a "preto e branco"!
As opiniões
(umas mais corajosas que outras) dividem-se, mas não deixa de ser curiosa(...) a pandemia de daltonismo que, repentinamente, infectou a Sociedade portuguesa, especialmente a  mais (pseudo)moralista - tendencialmente mais progresssista, mas com  muitas subscrições conservadoras.
Agora, e parece que só agora, é que descobrimos que o "lusotropicalismo" era, e é, o placebo aceite como paliativo do racismo social e cultural que, uns mais que outros - e independentemente da raça, cor ou credo - sentimos, naturalmente,  de forma e intensidade diferentes.
É claro que o aproveitamento político da questão entrou na ordem do dia; é claro que os "political digital influencers" e os "snipers" partidários vão enchendo as páginas sociais de articulados prós e contras, enfim... nada que acrescente valor à eliminação do mito do "não- racismo" porque, contrariamente ao que se procura empolar,  em Portugal a Questão não será assim tão diferente da de outros países -  quer, principalmente, ex-colonizadores, quer ex-colonizados - onde "a democracia racial" (Brasil) ou "the colour blindness" (EUA, Reino Unido, Austrália, etc.) apenas terão reclassificado as formas de discriminação racial mais contemporâneas.




A forma de nos considerarmos "uns aos outros", será, apenas e naturalmente, uma questão cultural; mas, para as ainda muitas gerações vivas do século passado,  em primeiro lugar,
(ainda) há que vencer os constrangimentos biológicos intrínsecos aos quatro séculos da doutrina cromática da sociedade colonialista que não facilitam a eliminação definitiva do preconceito rácico, ficando-se pela tolerância - ainda longe do zero!

terça-feira, 16 de julho de 2019

O (en)Cantar do galo


Nas últimas dez semanas cruzámo-nos pr'aí meia centena de vezes - sempre muito respeitosamente; de tal forma que nunca mais fui capaz de pensar sequer em arroz de cabidela.
É claro que este tipo de "affaires" vai criando dependências e, dia de visita em que a demora do encontro era inabitual, eu já não me sentia bem. Entretanto, hoje, à saída (com boas expectativas no bolso), passando por ele saquei do smartphotofone e em jeito de despedida foquei-o enquanto silenciosamente gritava: "até à daqui a três meses, galaró!"
E, querem saber? Não é que o bicho, parecendo reconhecer-me, esticou o pescoço e em bicos de pata cantarolou - no seu tom mais melodioso - uma sinfonia de cinco ou seis notas galináceas que eu tomei como um afectuoso voto de felicidades.
... e de (muita) esperança!